Rescaldos

Rescaldo Semanal 01.05.2021


Internacional

A cimeira extraordinária do Órgão da SADC sobre Política, Defesa e Segurança foi adiada pelo facto de dois Presidentes estarem indisponíveis. Tratam-se dos chefes de Estado do Botswana e da África do Sul.

Várias órgãos de informação internacionais avançaram que o ataque de Palma foi coordenado por vários insurgentes estrangeiros e com raízes na Etiópia, Congo, Tanzânia e Somália. Nomes como Mohamed Ahmed Qahiye, Abdelqader Mumin, Abu Yassir Hassan, Yaseer Hassan e Abu Qasim foram citados em artigos separados. Estes, se juntaram aos outros coordenadores de insurgência em Moçambique e avançados com nomes de Abdul Faizal, Abdul Remane, Abdul Raim, Nuno Remane, Ibn Omar e Salimo.

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi esteve em Ruanda e no encontro que manteve por algumas horas, com o Presidente Paul Cagame, trouxe um discurso suave e de esperança quanto à admissão de alguma intervenção militar, no caso de Cabo Delgado. O mesmo disse, citando a Rádio Moçambique, que obteve aprendizagens daquele país no tocante ao combate ao extremismo violento e propõe que se ajude Moçambique naquilo que o próprio país precisa e desde que Moçambique esteja sempre à frente das causas em discussão. No referido encontro de algumas horas, debateram-se também assuntos de boa Governação, economia e saúde. Esta notícia, partilhada do Facebook da Rádio Moçambique, tem comentários recheados de elogios por parte de internautas Moçambicanos, estes que chegaram a questionar sobre a dissonância de princípios, comparativamente a comitiva do Partido Frelimo que recentemente esteve em Palma. Alguns internautas, com aparências de conhecerem o actual estágio de Conflito em Cabo Delgado, opinam sobre o que Moçambique necessitaria para triunfar.

A costa de Cabo Delgado foi recentemente considerada como a de maior risco para a transitabilidade marinha. Para todos os efeitos, orientou-se que para que se transite, há que fazer seguros de vida e de bens. Contudo, a SADC procura encontrar meios para neutralizar a ameaça do terrorismo e criar ambiente seguro em terras perdidas pelas Forças Armadas de Defesa e Segurança, fornecer apoio aéreo e marítimo para fortalecer a capacidade de militares entre outros.

Nacional

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) foi citado pela DW como sendo a favor do envio de tropas da SADC para Cabo Delgado. Contudo, este posicionamento de intervenção militar foi condicionado por um aval em sede de Sessões na Assembleia da República, diante do Parlamento, como forma de transparecer o processo. 

Mia Couto, escritor Moçambicano, esteve num encontro de Confraternização onde leu seu fio de pensamento, tendo considerando que há, no mundo inteiro, muita gente estrangeira, alguns dos quais “especialistas”, que nunca pisaram Moçambique e que “tão bem e seguros”, escrevem sobre o actual conflito armado de Cabo Delgado – Moçambique que qualquer um Nacional. Este posicionamento, lhe desconforta.

Moçambique goza de estabilidade apesar do terrorismo. – disse o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, na sua última intervenção no Fórum dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. No referido encontro, Nyusi agradeceu pelos apoios e assistência humanitária e de solidariedade que Moçambique tem estado a receber de parceiros internacionais com o destaque, países da CPLP e dos PALOPs. Neste encontro, Moçambique mostrou-se capaz e pediu apoio dos PALOPs na sua candidatura ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

O novo Bispo de Pemba fez um dos seus pronunciamentos e de continuidade, na busca de soluções para o povo sofredor de Cabo Delgado. O Bispo António Juliasse Sandramo,  que substituiu Dom Luiz Fernando Lisboa, assim o disse e frisou que, caso ele fosse presidente da República, estaria a falar sobre Cabo Delgado, a cada santo dia. 

Em Tete e concretamente no povoado de Samoa, homens armados atacaram a família dos responsáveis da aldeia, tendo deixado recados explícitos de que não querem a liderança de Ossufo Momade mas sim de Mariano Nhongo. No mesmo dia e dias subsequentes, a população toda e num raio mínimo de 3 km, dormiu nas matas, à semelhança do tempo de guerra civil. – Escreveram vários jornais.

Encontros de concertação entre a direção da Total e o Governo não param desde o ataque do dia 24 de Março. Depois de cada encontro, vezes em quando em separado, são anunciadas a imprensa sobre as mais recentes análises e decisões para a segurança e co gestão do Projecto da Total que está avaliado em 20 mil milhões de Euros e o seu arranque legal, para 2024.

Cabo Delgado

O Secretário do Estado em Cabo Delgado foi exonerado à luz de competências do Presidente da República de Moçambique e sob proposta do Conselho de Ministros. O mesmo foi promovido ao cargo de responsável da ADIN, nesta mesma província. E o seu anterior cargo, encontra-se ainda a disposição, aguardando-se por um novo Secretário do Estado, nesta província. 

Uma Rádio Comunitária será implantada de raiz em Montepuez – Namanhubyr, ao longo do segundo semestre de 2021. A Montepuez Ruby Mining identificou e expôs agregados para o efeito. A mesma será em Frequência Modulada e está avaliada em mais de 2 milhões de Meticais, incluindo o primeiro equipamento. Contudo, o projecto Cabo Ligado lançou um portal de podcast onde partilha notícias de Cabo Delgado e pode-se ouvir em regime experimental, na seguinte endereço : https://iono.fm/e/1032988 

Ainda em Montepuez, pelo menos uma Cidadã de Nacionalidade tanzaniana foi denunciada e detida pelas autoridades Moçambicanas, acusada de seu envolvimento directo na exploração ilegal de minérios preciosos com o destaque, o Ruby. Nos cálculos do Pinnacle News, há em Montepuez, acima de 244 outros Cidadãos estrangeiros que gerem este tipo de negócios grande parte dos quais, da África Subsaariana, Tailândia entre outros,, para além de milhares de Moçambicanos que o gerem de forma induzida, para os seu auto-sustento.. 

Pelo menos dez funcionários do Aparelho do Estado e outros de empresas que operavam em Palma, foram libertos por insurgentes depois de terem sido capturados no combate de Palma e posto em seus cativeiros, por cerca de um mês. As suas liberdades foram feitas ao longo da cintura da mata de Phundanhar e as suas apresentações diante da justiça, foram feitas em Nangade. O Estado acolheu-os e ofereceu viagens colectivas para a Cidade de Pemba, onde se recuperam de inchaços nas pernas, paludismo e hipotermia. 

O Distrito de Palma tem sido notícia de destaque em vários órgãos de Comunicação Social ao longo das últimas quatro semanas. E dados recentes indicam que este Distrito inteiro, virou fantasma ao se evadir a 100%, toda a População (+/- 30 mil cidadãos). Apesar das autoridades moçambicanas terem tomado o controle da Vila de Palma e Cidadela de Afunji, os ataques direcionados e esporádicos, fizeram com que a Petrolífera Total, mandasse encerrar suas portas e evacuasse boa parte de seus recursos, enquanto tempo. As últimas incursões apontam que militares tomaram iniciativa de incendiar algumas cabanas que eram resididas por populares que as abandonaram, para abrir a visibilidade contra inimigos, caso se aproximem do perímetro de vigilância de interesse estatal. O facto colocou milicianos contra militares, por algum tempo, pois, para milicianos, aquela atitude era incorrecta ao passo que para militares, as cabanas serviriam de esconderijos perfeitos. A contenda teve um fim a favor dos militares, depois de discutida a causa no seio dos mesmos. Estando em Palma, as vias de comunicação terrestre são quase impossíveis de transitar, a comunicação telefônicas apenas com roaming e nalguns cantos de Palma ao passo que as vias aéreas, uma e outra tripulação ajudaram na evacuação de gente carente tal como mulheres em estado de gravidez ou com crianças apenas, para a Cidade de Pemba onde os números de deslocados e apoios aumentam. Frotas marinhas artesanais continuam a chegar em Pemba, desta vez, vindas de ilhas adjacentes de Palma, locais onde muitos fugitivos haviam se refugiado por algum tempo, aguardando com que Palma viesse a ser coabitado e estando a ouvir últimos relatos sobre Palma, acabam de desistir os seus regressos, semanas depois. Aliás, as mesmas Ilhas adjacentes e que fazem parte do arquipélago das Quirimbas, encontram-se superlotadas e com problemas de falta de urinóis e carenciando de higiene colectiva, sobretudo, no tocante ao fecalismo a Céu aberto e precariedade da vida diária.  

De igual modo, não há equipas móveis sanitárias para assegurar a saúde básica destes deslocados. Ainda em Palma, a Total anunciou que projectos de construção e aperfeiçoamento de infraestruturas estão atrasadas um ano, o estágio actual merece uma intervenção apelidada de “força maior” e interpretou-se que, uma equipa especializada propõe o envio coordenado e unânime de cerca de 3 mil homens, grande parte dos quais, de infantaria, serem pré-selecionados de Países que façam parte da SADC, para controlar Palma e perímetro da Cidadela de Palma e Afunji.

Uma média de 32 mil empregos serão criados nos centros de deslocados de guerra, em Cabo Delgado, preconizam drafts da ADIN. Esta ação, vem confortar muitos deslocados de guerra que desde Outubro de 2017, fogem de ações banditescas que já criaram mais de 2.500 mortes entre Soldados, insurgentes e civis e criaram 714 mil deslocados, segundo últimos registos do Estado Moçambicano.

Numa altura em que a imprensa fez acreditar que o corredor de Cabo Delgado já não constitui rota de tráfico de droga, pelo menos 25 kg de cocaína foram apreendidas, pela Polícia de Investigação Criminal, numa das residências aparente abandonada e luxuosa casa, no bairro de Maringanha – Cidade de Pemba, pertencente a renomada família comercial e Política de Osman Yacub. Importa realçar que a droga entrou em Moçambique, via marítima, vinda de Tanzânia e em take-aways e 1 dos 3 capturados e detidos e que merecem serem auscultados num processo ora aberto, foi encontrado morto, horas depois da legalização da sua detenção

One Comment

  1. Fico com esta interrogação. Palma está de facto controlada? O número de pessoas a quererem sair têm vindo a aumentar. E por outro parece que a ajuda humanitária ainda não chegou. Esta indefinição parece conduzir a uma catástrofe humanitária sem nome. A mesma capacidade logística para os militares será que não está disponível para os milhares de refugiados? Pelos vistos a ajuda continua retida em Pemba por ordens do governo ou terá reiniciado?

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