Rescaldos

Rescaldo 05.02.2022

Não chove com regularidade pela Província de Nampula para uma população que depende da agricultura para a base do seu sustento. Deste modo, a escassez de chuva ameaça a campanha agrícola 2020-2021. Por seu turno, a Cidade de Nampula ressente-se como nunca da escassez de água nos rios. O Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) encontra-se limitada para fornecer água em quantidade e qualidade.

O período chuvoso em Moçambique tem sido regular entre os meses de Novembro à Fevereiro. A ser assim, morrem as esperanças de se obter culturas agrícolas maduras, ao longo do ano ou por outras, acredita-se que haverá fome em muitos distritos da Província de Nampula, pior ainda, caso a segunda safra agrícola seja tal como a presente. A malária, doenças hídricas e oportunistas, são a cada dia registados no seio de aglomerados populacionais de Nampula Cidade e também, nos locais e famílias aonde deslocados de guerra estão acolhidos. O aluguer de casas e venda de parcelas de terra, sem o consentimento da edilidade ao nível da base e a procura de terras aráveis, cresce em Nampula – Cidade, devido a aparição e acolhimento de várias famílias deslocadas de guerra.

No Município de Angoche – Nametoria, Província de Nampula, pelo menos um professor é procurado alegadamente para ser linchado. Recai sobre ele, única acusação, de se ter aproveitado da suspensão das aulas lectivas escolar em curso, por COVID – 19, para se juntar a insurgência na Província de Cabo Delgado. Já faz mais de um ano que o referido professor encontra-se ausente. Estas informações foram tornadas públicas por alguns membros familiares que comunicavam com o professor, ao longo da sua ausência pelo Distrito. Uma fonte posicionada na escola por onde o professor leccionava, disse que a Direcção da mesma nunca notou a sua ausência, facto que vinha pagando seus ordenados, com regularidade, o tempo todo e mesmo a estas alturas em que ele voltou a desaparecer, temendo este propalado linchamento.

A Polícia da República de Moçambique foi alertada nesta semana que pelo menos três insurgentes abandonaram as matas de Cabo Delgado para entregar-se as autoridades Cidade de Pemba, mediante ao pronunciamento do Presidente da República, pela amnistia. Por seu turno, há diligências para que estes voltem em segurança às suas origens, na Província de Nampula e pelo Distrito de Memba. Fontes do Pinnacle News dentro da corporação policial apontam que estes possuem mais de três milhões de meticas cada um e em diferentes formatos, fruto de prémios de batalhas sangrentas. O Pinnacle News carece de detalhes que estejam em curso. Quer pelo primeiro caso desta Província, relacionado com o Professor de Angoche – Nametoria, quer por este segundo caso de desistência, confirmam em certa dose, o facto de insurgentes estarem a passar (actualmente) por momentos tenebrosos e de sufoco, nas matas de Cabo Delgado, relacionados com a logística, facto que alguns resistem e actuam por contas próprias enquanto outros, procuram melhores fórmulas de deixarem de se insurgir.

O Distrito Municipal de Mocimboa da Praia pode estar deserto desde Dezembro de 2020. Por lá, nem insurgentes e muito menos o Estado, se fazem sentir. Aliás, populares e residentes de Mocimboa da Praia, temem em ir para confirmar a respectiva deserção, pelo facto de terem saído compulsivamente, durante fortes combates militares entre insurgentes e forças armadas de Defesa e Segurança, por várias vezes e com o destaque, no de segundo semestre de 2020.

O Distrito de Palma, Província de Cabo Delgado, voltou a ressentir da crise humanitária jamais vista em Moçambique. O facto deve-se ao seu isolamento do resto da Província de Cabo Delgado, depois de termos anunciado que houve confrontos militares e ataques em diferentes pontos da cintura de Phundanhar. Palma conecta-se com o resto da Província por vias terrestre (via Mocimboa da Praia e Phundanhar) e também, por via marítima. A via de Mocimboa da Praia encontra-se desactivada, a partir de Mocimboa, local onde houve ataques e em Phundanhar, esta que era a última esperança para os residentes e trabalhadores de Palma. A via marítima, foi formalmente interdita de circulação, desde a segunda quinzena de Dezembro, pelo facto de uma embarcação ter sido capturada por insurgentes, no alto mar. O proprietário da embarcação que conseguiu escapulir, dias depois, reportou as autoridades policiais de ter testemunhado o roubo de 23 volumosos sacos de peixe seco e decapitação de pelo menos 3 dos ocupantes da referida embarcação a vela, parte dos quais, seu tripulante. O preço de aquisição de qualquer produto de primeira necessidade, triplicou e escasseou.

Para reabastecer de comida, um pouco por todo o Palma, militares foram destacados para escoltar viaturas de comerciantes que possam adquiri-la a partir de Mueda, passando pela via de Phundanhar, facto que constitui um dilema, sobretudo pela qualidade de estrada a ser percorrida. Aliás, fontes do Pinnacle News avançam que houve uma vala aberta pelas matas de Phundanhar, para retardar o percurso normal de qualquer viatura em trânsito. A estas alturas, as entradas e saídas de Palma para Pemba ou vice-versa, são apenas de emergências sendo, via aérea e com preços astronómicos por estarem a operar privados e em embarcações pertencentes a militares patrulheiros (Iates de patrulha e escolta), que percorrem até 250 km por hora, em mar aberto e sem ondas. Na mesma senda de abordagem, pelo menos 6 proprietários de viaturas de caixa aberta, conseguiram fazer o percurso de ida e volta, de Mueda para Palma, em busca de comida para a revenda. A maioria destes, trouxeram cereais e fizeram caminhada em coluna e constituíram praticamente os únicos que fizeram este trajecto.

Nesta semana, foi tornada pública uma obra contendo 46 páginas, de autoria de mais de 30 académicos graduados em diferentes ramos a destacar: o Direito, antropologia, economia, psicologia, filosofia, biologia, história, jornalismo, sensoriamento remoto, estudos de segurança, lei e teologia islâmica entre outros. A obra intitulada “Como está Cabo Delgado” faz menção sobre a economia Política de recursos Naturais; a Pobreza, etnicidade e Juventude; Poder, religião e conflitualidade; o conflito na sua dimensão regional; o impasse militar – actores e estratégias; crise humanitária em Cabo Delgado; desafios dos reassentamentos populacionais entre outros temas relevantes e de actualidade.

Uma viatura de modelo Sinotruck que escalava Nampula à Palma, com mais de 10 toneladas de arroz em saco, foi interceptada com jovens fardados de roupa militar moçambicana, nas matas entre distritos de Mueda à Nangade. O ajudante que preferiu saltar do carro e entrar pelas matas dentro, encontra-se há horas, no convívio familiar e diz não ter contacto com o motorista, faz 3 dias. O mesmo avança com fortes possibilidades dos que interceptaram o camião, serem da rede dos alshabbabs e não sabe esclarecer o destino do motorista, o camião e muito menos a carga. Aliás, estes depoimentos ainda não foram dados a conhecer a Polícia. A carga tinha como destino final, Palma e para responder com a crise humanitária que se faz sentir naquela parcela da Província de Cabo Delgado.

Há cólera em muitos distritos da Província de Cabo Delgado. As autoridades sanitárias não confirmam ser cólera mas sim, fortes dores de barriga. Populações abandonaram várias aldeias, para tantas outras supostamente seguras deste mal. Nalgum momento, aldeões pouco informados sobre como se transmitem as doenças das mãos sujas, pernoitam a tocar chocalhos, latas e outros instrumentos ensurdecedores, ao longo das noites e em muitos distritos da Província de Cabo Delgado, alegadamente porque “os espalhadores do vibrião colérico”, temam circular de povoado em povoado.

Um dos actuais e destacados empresários e radical da Cidade Capital de Pemba, acaba de ser detido pela Polícia, por ter sido provado que, por intermédio de alguns dos seus trabalhadores, manuseava com regularidade, droga fortíssima denominada por efedrina. De forma prévia, o indiciado diz que este produto, serve para temperar derivados de trigo que são transformados numa das suas pastelarias. O jornal @Carta, avança que a mesma droga foi achada num dos seus armazéns, em sacos camuflados de farinha de milho e eram 180 quilogramas de reserva. O advogado alega que este produto existe em vários supermercados da Cidade de Pemba e pode ser adquirível a preços caritativos e com gente de todas as idades.

Minoj Hassan é de origem asiática, erradicado em Pemba – Cabo Delgado e membro do Partido Frelimo. No passado, foi vereador neste Município e da fundação Aga Khan e hoje, proprietário de estaleiros e frotas de enormes e diferentes tipos de viaturas.

O Japão anunciou que, por intermédio do Governo, vai apoiar vitimas de ataques armados das zonas Centro e norte de Moçambique. Segundo o jornal Ikweli, foram anunciados 4,2 milhões de dólares norte americanos para servir aos mais de 63 mil deslocados de guerra, nestas 3 províncias.

Ao longo das celebrações do dia 03 de Fevereiro de 2021, em todas as praças dos Heróis Moçambicanos, houve apelos à Paz e repudiou-se veemente, ataques armados e suas motivações.

Pelo menos um pescador foi ligeiramente atingido por um projéctil militar, em mar aberto, no Município de Nacala, concretamente em matas de Quissimajulo – Relanzapo. Os militares que faziam carreira de tiro e ao lado de instrutores de raça branca, prestam socorros ao lesado, desde ao alto mar às enfermarias e em pleno tratamento ambulatório.

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Subscreva a nossa newsletter diária

Verifique na sua caixa de correio ou na pasta de spam para confirmar a sua subscrição.