Rescaldos

Rescaldo Semanal 03-04-2021

Internacional

As Forças de Defesa da África do Sul enviaram uma equipe à Moçambique com objetivo de repatriar cerca de 50 cidadãos sul africanos que se encontram em Palma. Antes do ataque do dia 24 de Março, maior parte dos cidadãos sul africanos era constituído por trabalhadores, tendo um deles sido morto em decorrência da violência armada naquele ponto do país.  

Cabo Delgado

Os insurgentes celebraram o ataque à Palma em Macomia, concretamente na aldeia Manica. Por aqui, na mesma altura em iniciou a invasao à Palma, um grupo de 40 homens entrou na aldeia Manica, Posto administrativo de Mucojo, com a seguinte estratégia. O primeiro grupo composto por cinco insurgentes entrou a disparar para o ar no interior da povoação, enquanto os outros, disparavam contra todo e qualquer que pretendesse fugir para Macomia – Sede. As vítimas capturadas eram depois mortas por decapitação. O Zitamar reportou numa primeira fase que houve sere mortes por decapitação mas ontem, o Pinnacle News soube de uma fonte comunitária local que o incidente resultou na morte de pelo menos 17 pessoas locais.

O ataque dos insurgentes à Palma ganhou destaque nas mídias nacionais e internacionais, pese embora as dificuldades de obtenção de informação real do ponto de situação devido a falta de comunicação com Palma. A comunicação com Palma via telefone é apenas possível dentro do Perímetro do acampamento de Afungy.  A situação resultou na fuga da população da vila-sede de Palma devido no meio de trocas de tiros que ainda não cessaram. O numero exacto de mortes de civis, militares e próprios insurgentes, ainda não foi apurado. A cidade Capital de Cabo Delgado, Pemba, vem acolhendo inúmeros deslocados de guerra sobretudo, os que chegam por via marítima. sua primeiras estadia tem sido junto do Pavilhão do Campo Municipal de Pemba, local onde diferentes agências humanitários estão presentes e prestam apoios multifacetados. As agências humanitárias registaram pelo menos 9.900 deslocados das 75. 000 que viviam em Palma, segundo a Agencia Humanitária das Nações Unidas OCHA. Os pontos de reencontro dos residentes de Palma são os distritos de Nangade, Mueda, Montepuez e Pemba sendo este último, o que mais alberga maior número de deslocados. A Total esteve por de trás da colecta e evacuação de vários sobreviventes, incluindo feridos que chegaram a esta cidade capital, quer por via marítima, quer por via aérea. No seio dos deslocados, já foram identificadas crianças sem acompanhantes e todos os cuidados foram acautelados pelas Organizações Humanitárias entregando a cada uma delas, a uma família adoptiva, depois de catalogá-las. Por falar sobre catálogo, os deslocados de guerra que chegam à Pemba, recebem uma fivela, geralmente de cor azul, para coloca-la no pescoço, o que lhes caracteriza e (possivelmente) distancia-os, quando a questão é a socialização.

Uma enorme lista de pessoas resgatadas foi tornada pública nas redes sociais, com vista a garantir que membros familiares, amigos, colegas ou conhecidos de pessoas desaparecidas e incomunicáveis a partir de Palma possam se reencontrar. Contudo, nem todos foram identificados até então, bastando se verificar nas bermas da praia de Kumissete – Pemba, no Porto e aeroporto de Pemba e mesmo no Hospital Provincial, visitas massivas de gente que queira identificar seu membro familiar.

Os Centros de reassentamento de deslocados de guerra provindos de distritos que registam confrontos militares, recebe a cada dia, visitas de computo Provincial e Central. Estes, para além de lhes confortar, informam-se ao detalhe sobre grandes preocupações de deslocados. Dentre vários problemas ora apresentados, ainda prevalece a impossibilidade de atribuir ao menos uma ocupação assalariada a pelo menos um membro familiar de cada família deslocada, a iluminação de suas casas, a provisão de água potável e cuidados médicos 24/24. Importa referir que a Cidade de Nampula, continua a ser a campeã de recepção de deslocados voluntários ao passo que vários outros Distritos da Província de Cabo Delgado, recebem deslocados referenciados.

O Presidente da República levou aproximadamente uma semana para tecer pronunciamentos sobre a situação que se vive em Palma. Filipe Nyusi desvalorizou a magnitude do ataque  e disse não ser o maior ataque já registado nesta Província e apelou a calma e foco. Entretanto, a activista Social Graça Mandela rebateu os pronunciamentos do Presidente da República, afirmando que a situação em Palma é critica. Na ocasião, a mesma pediu desculpas a toda Nação, com alegações de que é o inverso e apela que já é altura para envolver tantos outros países nesta causa por forma a pôr termo ao extremismo. Por seu turno, Caifadine Manasse, porta-voz da Frelimo, disse em entrevista à Lusa que o Governo nunca negligenciou ataques e definiu terrorismo como sendo terrorismo e apelou a união entre moçambicano, para fazer face aos ataques e manutenção da Paz em Cabo Delgado, em Moçambique, na África Austral e no Mundo inteiro.

A Segurança do perímetro da Multinacional Total, ficou ao exclusivo cargo das forças go governamentais de Moçambique. Depois do ataque ao Centro da Vila de Palma, insurgentes ainda circulam nas redondezas do Teatro Operacional Especial de Afunji, trajados de uniformes militares e com uma especificidade de laco vermelho no pescoço ou cinta na cabeça, disparando esporadicamente, enquanto tantos outros, squeam bens em locais abandonados. Queima de arquivos e infraestruturas do Estado, coleção e partilha de joias e valores, roubo e retirada de medicamentos é o que essencialmente se faz há sensivelmente 10 dias em Palma. Enquanto isso, os militares posicionados no perímetro do Afungy, muitos deles, ainda não dispararam pois, encontram-se ao longo do tempo todo, nos seus postos, tal como foram orientados. Contudo, o comportamento de insurgentes, ao dispararem de forma esporádica, retira aos militares, o sono e sossego. Ao se confirmar este tipo de ação, a guerra de Palma teve dois momentos e estratégias sendo a primeira, colocar em dispersão e pânico, todo o civil e segundo, encher de fadiga, aos militares.

Pelo menos 4 confessos militantes da rede de Al-shabbab foram neutralizados em dois distintos distritos nunca dantes atacados na Província de Cabo Delgado. As estruturas Policiais que se encontram a se informar ao detalhe sobre o como conseguiram se infiltrar na sociedade, capturaram também instrumentos caseiros de destruição e matança.

A Comunidade Sant’Egidio tornou informou que a guerra de Cabo Delgado que se arrasta desde o dia 05 de Outubro de 2017 até a esta parte, causou 9 mortes de seus activistas religiosos que se engajavam na assistência humanitária aos afectados pela violência armada. Esta informação foi dada a conhecer a Radio Moçambique pela coordenadora Quiara Totrine. Importa frisar que, semanas antes deste ataque, houve vítimas libertas e devolvidas para convívios familiares, estas que se apresentaram em muitos distritos de Cabo Delgado e ofereceram informações sigilosas a Policia assegurando-a que, insurgentes partiam para ao além, sozinhos e sem reféns. Diríamos, neste ataque de Palma, ainda não se reporta casos de reféns mas sim, decapitados, desaparecidos e mortos incluindo, morte a cidadãos de nacionalidade estrangeira.

Enormes barcos efectuaram o transporte de vários funcionários e residentes de Palma. As primeiras embarcações, acolheram mais de mil vidas e o escoamento, continua ao longo desta semana e de forma faseada.

Terminamos com uma nota de pedido de desculpas onde, o Pinnacle News tornou público que o proprietário da Amarula Hotel, em palma, havia fretado um helicóptero para o seu resgate e o de seus animais de estimação. Queremos dizer que o acontecimento foi real mas não se tratou deste proprietário mas sim, um dos clientes que esteve no hotel, naquelas alturas.

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