Rescaldos

Rescaldo 24.04.2021

Internacional

O Secretariado da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), encontra-se a preparar um relatório (detalhado) sobre a dimensão da ameaça terrorista em Cabo Delgado. No mesmo documento a ser ulteriormente submetido a apreciação ao Comitê Ministerial da SADC, irá recomendar sobre a necessidade ou não de uma intervenção regional. – Lê-se num recente comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique.

A Tanzânia encontra-se em estado avançado no processo de admissão de suas empresas e no que concerne a exploração do gás liquefeito na bacia geológica de Lindi, equiparado ao Projecto de gás de Moçambique – Palma. Estima-se que a partir da Tanzânia, sejam exploradas 57,54 trilhões de pés cúbicos de gás Natural a partir de 2022 e com a capacidade de produzir 10 milhões de toneladas por ano.

Nacional

Margarida Talapa, Membro Sênior do Partido Frelimo, efectuou uma deslocação a província de Nampula tendo na ocasião levado a cabo certas actividades de realce e ligadas ao combate ao terrorismo no teatro operacional norte. Talapa solicitou a imprensa para, mais uma vez, desencorajar a adesão dos jovens desta província, a insurgência armada. De igual, reuniu com membros seniores desta Província de Nampula, onde mobilizou de forma relâmpago mobilizou pelo menos seis milhões de Meticais para apoio aos deslocados do conflito em Cabo Delgado. O montante será aplicado pela Província de Nampula, em famílias acolhidas ou necessitadas e que se tenham deslocado por aquele motivo. Quanto a esta causa, Talapa precisou diante da imprensa que este é o primeiro ensaio do gênero e haverá outros movimentos sectoriais do gênero, dentro da Frelimo e com o mesmo propósito.

O último relatório da Organização Internacional das Migrações aponta um total de 18.661 pessoas, maioritariamente crianças, como sendo registadas como deslocados de guerra, provindas do Distrito de Palma.

O Ministro da Defesa, Jaime Neto, reiterou que o ataque ao Distrito de Palma, não afectou a Petrolífera da Total, na península de Afungy. Esta personalidade, garantiu que as forças Armadas de Defesa e Segurança estejam a fazer de tudo para repor a ordem e tranquilidade bem como o normal funcionamento de instituições do Estado.

A Total confirmou a evacuação de todo o seu remanescente pessoal das instalações da Total, tendo entregue ao Estado e por um tempo indeterminado, as infraestruturas que já foram investidas, perto de 25 milhões de Euros (o maior investimento em África e de todos os tempos). Como consequência da sua retirada, perto de outras 100 empresas dependentes e subcontratadas pela Total acabam de dispensar as suas mãos de obra e sem datas para a retomada. Somam-se inúmeros funcionários qualificados, de nacionalidade moçambicana e estrangeira que serão despedidos compulsiva e instantâneamente por conta do terrorismo em Cabo Delgado.

Cabo Delgado

Pelo pelo menos três mulheres que residiam em Palma deram luz em plena fuga, de Palma para Pemba. O Governo Provincial, assistiu as três parturientes ofertando aos recém nascidos kits de enxovais e as mães, cestas básicas. A estas alturas, elas foram encaminhadas a famílias terciárias em diferentes distritos desta Província, depois de ter-se constatado de que os menores gozam de boa saúde – escreve-se no 17º Boletim Informativo do Conselho Executivo de Cabo Delgado. A mesma publicação faz saber que o Governo da Província já mobiliza os deslocados de guerra do Distrito de Palma para o seu regresso à Palma, por ser hoje, um distrito livre da presença de insurgentes.

O Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, reuniu-se com membros da Conferência episcopal de Moçambique com o intuito de avaliar a degradante situação humanitária diante de deslocados de guerra de Cabo Delgado. O encontro que decorreu em Maputo, teve outros temas transversais a destacar, o desenfreado e desigual exploração de recursos minerais pela Província, a forcada deslocação de inúmeros nativos, a morte de pelo menos 2500 pessoas entre Nacionais e estrangeiros bem como, o visível aproveitamento da actual guerra, para possíveis interesses de punhados de grupos, em detrimento das comunidades – escreveu @Carta. Para o caso, vários deslocados (todas as idades) do último ataque de Palma, arriscaram suas vidas em alto mar (com fome e sede) e em canoas, por alguns dias consecutivos, para chegar em outros distritos supostamente seguros.

Pelo menos uma embarcação a vela que se deslocou da Ilha do Ibo para Pemba, com inúmeros deslocados de guerra, naufragou nas aguas da Província de cabo Delgado tendo morrido pelo menos 11 ocupantes. Acredita-se que a tripulação não tomou em conta o mau tempo que iria ofuscar a visibilidade.

A Ministra da Administração Estatal e Função Publica, Ana Comoane, esteve recentemente em Palma e disse a imprensa que o Governo já estava em condições para assistir os 715 mil deslocados de Cabo Delgado. Sem revelar datas de início destes apoios e muito menos os meios usados pelo Governo de Moçambique para o efeito, o primeiro Ministro fez também menção ao Parlamento, em sessão de perguntas e respostas de que há gente em centros de acomodação e em diferentes distritos que já são assistidos de forma multiforme, alguns dos quais, fora da Província de Cabo Delgado.

O preço de aquisição de produtos de primeira necessidade em Palma, voltaram a disparar no Distrito de Palma, província de Cabo Delgado.

Apesar de celulares digitais serem o objeto de atração de insurgentes ao longo de qualquer ataque, há poucas evidencias dispostas em redes sociais, a respeito de estragos feitos pelos incendiários que actuam em Cabo Delgado. As poucas informações disponíveis, aparecem em redes sociais, por canais de gente encarregue pelo Governo Moçambicano, de fazer varreduras em locais militarmente atacados.

Empresários da Província de Cabo Delgado acusaram aos militares das Forças Armadas de Defesa e Segurança de Moçambique de serem os que ulteriormente assaltam suas infraestruturas, depois de qualquer ataque. Para os mesmos que o disseram a imprensa, o último exemplo aconteceu em Palma.

Depois do ataque a vila de Palma e o anúncio da tomada da vila pelas tropas moçambicanas, há mais mortes de nativos e da forma mais barbara possível. As últimas mortes aconteceram em Quitunda, na noite do dia 23 e foram 5 pessoas algumas das quais, da mesma família. Houve também, incêndio de pelo menos 7 casas e os implicados, são ainda desconhecidos. A população local questiona incansavelmente aos militares que veem fazendo patrulhas 24/24 sobre como teria acontecido e por onde passaram os praticantes destes actos macabros.

Há conflitos de terra entre militares e munícipes de Pemba, na zona de Maringanha e numa posição militar. Reza a história de que militares foram detentores de uma parcela estimada de dois quilômetros quadrados, desde o tempo colonial e durante anos, desleixaram aquelas terras tendo a população, pedido por emprestado para fazer machambas, por um tempo indeterminado. Passados alguns anos e com a realidade desta Província, militares estão a ter impedimentos para reaver cada metro de terra ao seu favor e recorre-se a balas ao ar, ameaças orais e físicas, para dispersar camponeses que preferem morrer do que ceder de volta, aquelas terras. O caso já é do conhecimento da autarquia local e alguns militares veem sendo ouvidos de forma isolada, pelo Tribunal da Cidade de Pemba, por terem agido (provavelmente) de forma exagerada.

Vários internautas ligados as redes sociais, elogiaram ao Governo de Moçambique por terem convidado a imprensa para se deslocar à Palma, afim de fazer cobertura de consequências do conflito armado que por aqui se observou. Para os mesmos, esta ação mostra alguma maturidade do próprio Estado Moçambicano no tocante as críticas que os mesmos internautas iam frequentemente lançando, desgastando a imagem da Nação e questionando sobre até quando, o “secretismo”. A Televisão de Moçambique fez uma extensa cobertura no tocante aos danos ocorridos no Distrito costeiro de Palma, Cabo Delgado.

Finalmente, o Governo Moçambicano admitiu em sede de perguntas no Parlamento, ter aceite entrar em ação no Centro de Operações Norte, militares estrangeiros de alguns países da SADC. Sem algum detalhe sobre quanto custa esta operação, há evidencias de terem sido resgatados para o vizinho Zimbabwe, por exemplo, alguns corpos de civis decapitados por insurgentes, arredores de estancias hoteleiras. Os mesmos, encontravam-se a trabalhar para subcontratadas da Total.

Terminamos o nosso último rescaldo do mês de Abril com o notícia de que, pelo menos 41 insurgentes foram abatidos em Palma. – Anunciou ulteriormente, o Governo. E o Pinnacle News tem a confirmação de que no grupo, houve abate de pelo menos um dos cabecilhas de nome Omar Abdul (Moçambicano e natural de Macomia – Bairro N’nanga), nos dias de ataque, quando vários estiveram concentrados na Mesquita Central de Palma. A morte de Omar Abdul e vários outros, foi causada por um engenho projectado para aquele local sagrado e que acolhia (momentânea e provavelmente para uma breve reza em pleno combate) vários insurgentes. O facto fez com que todos insurgentes recuassem e abandonassem este Distrito. Recordar também que neste ataque ao Distrito de Palma, entraram em acção, pela primeira vez, vários insurgentes de tenra idade, capturados nas povoações locais e intensivamente treinados nas matas à dentro de Mocimboa da Praia e em matéria paramilitar e de “freemasson” pro-insurgência.

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